Carta de Noticia de Angola - General Numa critica "subterfúgios" em alterações nos estatutos da UNITA
 


General Numa critica "subterfúgios" em alterações nos estatutos da UNITA

Written by  Jul. 30, 2019

Um cenário de alteração de estatutos na Unita, capaz de colocar Isaías Samakuva na luta pela Presidência de Angola em 2022 mesmo fora da liderança do seu partido, é admitido como proposta para as teses do congresso, mas também criticado por uma franja que se opõe ao que chama de subterfúgios na hora do adeus.

Dirigente aponta para "vozes externas" que querem dividir o partido

Ao afastar a ideia de recandidatura no congresso ordinário a realizar-se entre 13 a 15 de Novembro num desmentido à imprensa portuguesa, o presidente cessante admitiu um cenário que pode dividir certos sectores do partido.

Entretanto, o membro do Comité Permanente, o deputado Alberto Ngalanela afirma que vozes externas procuram cisões na Unita por via do congresso, mas realça que as teses não vão dividir a estrutura partidária.

‘’Muitos se calhar querem ver o nosso partido na situação do MPLA, de cisões, mas não vai acontecer, mesmo com o cenário que prevê reajustes nos estatutos. Vamos ver o que diz a maioria’’, adianta o secretário na província de Benguela.

À VOA, o general Abílio Kamalata Numa, que diz ter projectos para um ‘’galo negro’’ a cantar alto, lamenta que Samakuva esteja a acenar para as eleições gerais, quando antes defendia o presidente do partido como cabeça-de-lista enquanto outros apresentavam ideias opostas.

‘’Seria o que todos os africanos fazem, isto é, quando governam muito tempo arranjam subterfúgios para sair. Acho que a maior parte, consciente, não vai aceitar isso’’, critica Numa.

O antigo deputado presume que alguém esteja a ser preparado para dirigir o partido.

‘’Ao dizer isto, ele (Samakuva) está a tentar patrocinar alguém que seja seu aliado, vai dirigir o partido… esses acordos não são correctos’’, argumenta Abílio Kamalata Numa

O empresário Carlos Alberto, que esteve no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (Gurn), a convite da Unita, é um observador que olha para a pobreza em Angola quando define o perfil do próximo presidente do partido.

‘’Samakuva recebeu a Unita em retalhos, teve capacidade para congregar. Tentaram destruir o partido, por isso digo que o próximo líder deve olhar para o eleitorado, lá nas massas onde estão os desfavorecidos’’, defende.

Se tiver anuência da base, o cenário em análise implicará um congresso extraordinário para a escolha do candidato do partido às próximas eleições gerais. VOA

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